domingo, 16 de fevereiro de 2014

10º Episódio - O "desenvolver" da esquizofrenia

          
              Estudos epidemiológicos têm encontrado diversos fatores associados a incidência e à prevalência de esquizofrenia na população mundial. Aleman et al., (2003) apud Perkins e Lieberman (2013) falam que metanálises concluem que a esquizofrenia é cerca de 1,4 vezes mais comum em homens que em mulheres. Outros estudos apontam para o desenvolvimento através do meio ambiente no surgimento do risco de esquizofrenia como nascer e viver em área urbana que está associado à predisposição ao risco aproximadamente 1,9 vezes maior em homens e 1,3 vezes maior em mulheres em comparação com populações não urbanas (kelly et al., 2010).
            Para Perkins e Lieberman (2013) talvez a principal forma de observar o risco de desenvolver esquizofrenia seja analisando o risco de morbidade ao longo da vida, que é a prevalência da doença incluindo todas as pessoas em um corte de nascimentos. A média do risco me morbidade de esquizofrenia (porcentagem de pessoas que irão desenvolver esquizofrenia em suas vidas) é de 0,7%; entretanto, essa proporção varia de 0,3 a 2,7% em diferentes populações. Desse modo, a prevalência mundial de esquizofrenia de 1% frequentemente mencionada é uma aproximação razoável, mas parece ser maior do que a indicada pelos estudos epidemiológicos recentes.

 “A epidemiologia estuda a distribuição das doenças nos grupos populacionais quanto a sua magnitude e natureza, procurando investigar fatores determinantes na etiologia e prognóstico. Considera-se a tríade epidemiológica sujeito, agente e ambiente”.
(MARI in SHIRAKAWA et.al., 2001, p.25)

            Para Mari (2001) considera-se que o agente no caso da esquizofrenia pode estar relacionado aos fatores intrínsecos (Genéticos) e extrínsecos (socioambientais e familiares), a epidemiologia da esquizofrenia abrange áreas como a clínica psicológica e psiquiátrica, a psicofarmacologia, a genética, a antropologia e a sociologia.
            A maioria dos indivíduos que desenvolvem um transtorno psicótico com características de esquizofrenia terá uma doença crônica e a gravidade dos sintomas é muito variável, bem como a gravidade da disfunção social e profissional que podem acometer o sujeito.
Segundo Perkins e Lieberman (2013) um atendimento pré-natal cuidadoso (incluindo suplementos vitamínicos apropriados e prevenção das complicações pré e perinatais, incluindo doenças infecciosas maternas, exposição a eventos estressantes de vida e complicações obstétricas) pode influencias no risco da doença e, bem como em sua gravidade.
O curso da esquizofrenia é bastante heterogêneo, com resultados que vão desde a recuperação completa à disfunção crônica. Vários fatores estão associados aos desfechos ligados ao esquizofrênico como o ambiente familiar, sua predisposição genética, estressores no trabalho e nas relações interpessoais; diversos tratamentos com antipsicóticos e psicoterapia e intervenções podem aumentar a probabilidade de recuperação.
E como disseram Lieberman et al., (2008) a prevenção de episódios recorrentes parece ser fundamental para prevenir a evolução da doença. É importante destacar que as intervenções que incentivam o apoio familiar e social também podem ter impacto para um melhor prognóstico do esquizofrênico.


REFERÊNCIAS
LIEBERMAN, Jeffrey A.; STROUP, T. Scott; PERKINGS, Diana O. Fundamentos da Esquizofrenia. Porto Alegre: Artmed, 2013.

NOTO, Cristiano S.; BRESSAN, Rodrigo A. Esquizofrenia: avanços no Tratamento Multidisciplinar. Porto Alegre: Artmed, 2012.


MARI, Jair J. A evolução dos critérios diagnósticos da esquizofrenia. In O desafio da Esquizofrenia. Edit. Itiro Shirakawa et.al. São Paulo: Lemos Editorial, 2001.

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